Então... Eu tenho hiperfantasia
(caso não saiba o que é, click aqui), e isto torna minha mente mais tátil,
sinto cheiros e temperaturas, mesmo nos sonhos. Uma vez senti a ondulação da minha sombra.
Bom, aqui quero compartilhar algumas coisas que me passam pela cachola, e que talvez,
penso eu, que possa aproveitar para que se tornem um conto ou uma arte.
Para ser franco, não sei se você quer ler estas coisas. Mas se por ventura ler, me fale o que acha.
Sonhei com um gato preto. Ele não tinha olhos mas as cavidades oculares eram bem profundas, e no centro havia algo como que uma haste de nervo, cujo centro havia um pequeno orifício tal como deveria ser a fóvea.
Ele me batia com a pata macia, mas eu sentia uma dor na alma, algo desagradável, porém era um ritual onde ele me abençoava.
Acorde num susto, como se realmente alguém estivesse me agredindo.
Pretendo desenhar ele.
Certa madrugada eu estava numa padaria, e na vitrina havia uma torta, numa forma quadrada e grande, lembrava muito um rocambole na parte interna, sei disso pois eu estava cortando ela tirando um grande pedaço.
Mas eu também estava logo atrás, observando a cena, enquanto a torta que era apenas o torso e a cabaça humana dizia: - Não me coma, pare com isso. Por favor! A torta também era eu.
E então eu disse para o outro eu que estava corta: - Para, deixa ele em paz.
Mas ele não me deu ouvidos, continuou cortando e irando um grande pedaço.
Não havia dor, mas sim o medo de desaparecer. Por dentro parecia delicioso, uma massa fofinha enrolando um doce de leite.
Acordei enjoado, e com uma sensação muito ruim na alma mesmo. Não sei como explicar direito, um nojo, repudio.
Era 24 de dezembro. A noite fomos para casa de um familiar, e a mesa estava farta, comi de tudo, incluindo uma torta tipo lasanha, uma delicia, e depois tivemos doces, pavê de maracujá, etcetera.
Mas não posso muito com coisas de leite, uma leve intolerância, e também já não tenho vesicular biliar. Rapidamente me senti cheio, pronto para explodir. Um grande desconforto.
Não teve jeito, ao chegar em casa enfiei o dedo na goela. Foi como um botão de ligar, foi ai que lembrei do sonho.